casa malaia - arquitetura de clima quente úmido

Um dos principais desafios para se alcançar o bem estar térmico nos climas quente úmido é a umidade alta. A melhor maneira de solucionar esta questão é a ventilação constante e ao pensarmos em aproveitamento de recursos naturais logo pensamos na ventilação natural como solução, porém não é tão simples como parece. A abertura para captação pode trazer outros componentes como insetos e odores, e a velocidade do vento pode interferir na qualidade da ventilação. Além da umidade, outros fatores climáticos que devem ser controlados ou mitigados no clima quente e úmido são a radiação solar direta e a chuva

A casa malaia tradicional apresenta soluções interessantes e esteticamente bem resolvidas. A Special Unit for South-South Cooperation (SU/SSC) fez um levantamento técnico desta construção para aplicar os conceitos em casas populares, abaixo coloco alguns diagramas do estudo, quem quiser conferir o estudo completo dá para fazer o download no link: http://ssc.undp.org/uploads/media/Malay_house.pdf.

Na cultura malaia alguns aspectos devem ser levados em consideração como a realização da maioria das atividades diárias serem feitas no solo, notamos assim a ausência de móveis e redução do mobiliário em geral, o que influencia na circulação do ar permitindo que ela ocorra com mais facilidade. Outro aspecto cultural é que no decorrer do ano as atividades dos compartimentos são alteradas para se obter maior conforto. Abaixo temos uma compartimentação típica.


As soluções passivas bioclimáticas adotados foram: opção por material de baixa inércia térmica, proteção contra a radiação solar direta, elevação do piso da casa em relação ao solo, utilização de vegetação nativa ao redor da casa para controle de microclima e ventilação natural.


arquitetura de climas quentes e secos. estratégias bioclimáticas

Todos conhecemos alguns dos princípios utilizados na arquitetura autoctona da regiões com clima quente e seco, como os pátios centrais com espelhos d'água para refrescar a casa a típica chaminé que proporciona ventilação passiva e controlável.

detalhe típico de uma chaminé de vento com umidificação

Porém, existem outros artifícios  interessantes e curiosos, que nem sempre nos damos conta porque eles são utilizados. Um deles é a utilização de jarros de barro com água nas entradas de ar. O ar é umidificado assim que passa pelo jarro, uma maneira simplista de fazer as coisas mas que deve funcionar. Outra característica é o teto abobadado, sua função é garantir que parte do telhado esteja sombreado no decorrer do dia, o que não ocorre com o telhado plano. O telhado abobadado neste caso tem outra vantagem, a esfera é a forma geométrica que possui maior volume interno em relação a superfície de contato, ou seja temos uma grande área interno com a menor superfície de contato com o lado externo.

 detalhe típico do jarro d'água na janela, 
ou entrada de ar

comparação áreas de sol e sobra entre telhados

centre for earth architecture . centro para arquitetura de terra

3 bilhões de pessoas espalhadas por todo o mundo vivem em construções de terra, isto significa quase metade da população mundial. O projeto abaixo é o centro de arquitetura de terra em Mali, Africa, um belo exemplo de qualidade na construção e projeto. O telhado suspenso da estrutura de terra garante ventilação constante, retirando o ar quente de dentro do edifício. No link abaixo é possível ver detalhes da plantas e cortes: http://www.kere-architecture.com/projects.html




architect, arquitetura: Kere Architecture
location, localização: Mopti, Mali
photographs, fotografia: Iwan Baan

Outro projeto muito interessante do mesmo escritório de arquitetura é o centro comunitário e escola em Ouagadougou, Africa, Além dos materiais regionais o projeto contempla estudo bioclimático bem adequado para a região





architect, arquitetura: Kere Architecture
location, localização: Ouagadougou, Burkina Faso

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